Comandante Cohen, ele era nosso espião mais importante

Leonard Cohen no bar

Leonard Cohen datilografando

Eis que, dias atrás, após 82 anos, passou Leonard Cohen. Nunca me esqueci de quando senti pela primeira vez o trovão subterrâneo de sua voz na sequência inicial de Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. Tive a boa fortuna de vê-lo ao vivo no final de 2012. Que vida luminosa, e que longe chegou! Chegou até mim, meu pai, minhas irmãs, vários amigos e amigas meus. Sua música e suas palavras chegaram a lugares como

Jesus era um marinheiro caminhando sobre a água
E ele passava um longo tempo observando do alto de sua torre de madeira
(tradução livre de Suzanne)

e

Te amei quando te abriste como um lírio no calor
Veja, é que eu sou apenas um boneco de neve, parado em pé debaixo da chuva e do granizo,
Que te amou com seu amor congelado, seu físico de segunda mão,
Com tudo que ele é e tudo que ele foi,
A mil beijos de profundidade
(tradução livre de A Thousand Kisses Deep)

Se você tem ouvido e gosta de palavras, recomendo com força esse poeta.

Kit saudade

2 de novembro, dia de finados. Milhares, centenas de milhares de pessoas indo ao cemitério do Caju, o maior do Rio de Janeiro. Debaixo daquele SOL implacável, no meio do fedor daquela avenida, debaixo dos viadutos gigantes que dão acesso à ponte Rio/Niterói, o barulho de ônibus que tem na zona portuária. Um milhão de pessoas visitando os cemitérios de toda a cidade, conforme previsto pela Reviver, administradora de sete cemitérios municipais. Missas são realizadas de hora em hora.

Na televisão, falaram da distribuição de um kit anti-saudade – um coração de borracha onde se lê: “Quando a saudade apertar, aperte aqui.” Deveria se chamar simplesmente “kit saudade”.